Rede Cultura

Encontro de Pessoas e Grupos interessados em Cultura no Estado do Rio de Janeiro

Depoimentos dos moradores do Quilombo São José da Serra em Valença, RJ.
Suas tradições e sua união. Uma comunidade com referência cultural.
Produção de 2009

Exibições: 921

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Comentário de Tânia Muller em 6 abril 2010 às 18:43
Não poderia deixar de considerar o comentário realizado pelo grande cineasta e amigo Joatan. vale uma leitura atenta e reflexiva.
Comentário de HELÔ em 24 março 2010 às 18:01
Olá, gostaria muito de visitar o Quilombo. Quando acontece uma visitação anual;??? por favor , me informe quem souber! obrigada
Comentário de cleopatra scouris borges araújo em 24 março 2010 às 0:00
Também gostei do vídeo e já havia assitido na Tv Eduacativa um documentário feito lá. Gostaria de poder visitar a Comunidade e poder de perto conhecer esta comunidade que preserva o Jongo.
Se alguém tivér os contatos deles me repassem. Meu e-mail é scouris@hotmail.com
Grata
Comentário de Joatan Vilela Berbel em 23 março 2010 às 17:20
Interessante este vídeo com "Depoimentos dos moradores do Quilombo São José da Serra em Valença, RJ", daria um ensaio sobre o olhar do outro e a visão paralaxe, um tema recorrente e crítico na filosofia e antropologia modernas. O espaço aqui não permite que eu me alongue. Mas vou apontar dois pontos críticos que observei: 1. No início do vídeo, Sarmento e Gilberto aparecem tomando água de torneira usando uma folha de taioba como recipiente. Um morador os orienta como segurar a folha para melhor colher a água. Em se tratando de uma narrativa audiovisual de duas pessoas da cidade que vão até uma comunidade para registrar os seus depoimentos, fica a dúvida: a) Qual o sentido de se tomar água de torneira com uma folha de taioba? Um antropólogo irônico como Marshal Sahlins, diria que os nativos resolveram pregar uma peça nos "etnólogos naives". Pode ser, mas é algo que pede uma reflexão maior, pois, depois de certa idade e experiência, não se admite ingenuidade neste campo. 2. Várias placas e o próprio vídeo indicam a denominação "Quilombo", para a localidade. Então se, levarmos em conta a definição histórica de Quilombo, que é um agrupamento de negros que fugiram da escravidão, que formaram um grupo coeso que se manteve coeso em seus costumes e crenças e que a partir da Constituição de 1988, ganharam o reconhecimento da propriedade das terras ocupadas, então, o primeiro depoimento colhido pelos autores do vídeo, desmonta toda a condição de Quilombo daquele grupo que vive naquela localidade.
Basta rever com atenção, o início do depoimento de TONINHO CANECÃO, para se constatar que ele começa dizendo que "esta comunidade não é uma comunidade de nego fujão". Depois ele esclarece que quando da abolição da escravidão os fazendeiros concederam aquele pedaço da fazenda para os seus antepassados viverem e se sustentarem.
A admissão da visão desta comunidade como remanescente de quilombo e a construção narrativa que está alicerçada no depoimento, ou seja na fala de cada um, sem um necessário contexto histórico, leva a crer que se trata mesmo de um Quilombo, que estas pessoas têm uma tradição cultural africana etc... Com isso se apaga o outro lado da história: De como os brancos fazendeiros daquela região se livraram dos escravos e das dívidas no Banco do Brasil- pois os escravos tinham valor de mercadoria e eram a garantia dos empréstimos. Por um tempo os ex-escravos viveram tranquilos insulados naquele pedaço de terra, mas sem conhecimento técnico e capital para desenvolver uma agricultura sustentável, viveram da agricultura de subsistência e continuaram, como se vê pelos depoimentos, prestando serviços nas casas dos brancos, cozinhando nas festas de casamento etc. Vale dizer que os fazendeiros brancos, literalmente, varreram os escravos para o fundo da fazenda. À medida em que a terra começou a se valorizar, os donos da terra, começaram a expulsar os ex-escravos que vieram para a cidade morar em morros ou cortiços e foram trabalhar como empregadas domésticas ou em serviços de baixo salário na cidade. Mas, alguns resistiram e foram ficando....
Isto não é contado no vídeo...então resta apenas o que tem sido uma prática recorrente nestas chamadas atividades de apoio à cultura popular, fortemente alicerçadas em instituições e consultores que proclamam estimular o chamado Desenvolvimento Local. O resultado é a reificação da cultura popular em narrativas que descontextualizam a história e apagam o papel do branco na realidade hístórica e na construção da identidade cultural dos negros de hoje, isto é parte da operação ideológica da sociedade dominante, a mesma que construiu determinadas instituições, na década de 1920 e 30, com a finalidade de destruir a mobilização do movimento anarquista no Brasil. Apagar a responsabilidade pelo atraso, o analfabetismo e a exclusão. Mesmo não sendo a intenção inicial, dos autores...que acredito ser as melhores possíveis, ainda assim é preciso refletir sobre estas questões - o diabo mora nos detalhes.

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